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Entrevista: Lars Grael ressalta papel da CNA: “Voz em defesa dos interesses dos atletas”

30 de abril de 2015

Lars Grael, fundador do Instituto Rumo Náutico – Projeto Grael, membro da Rems Rede Esporte pela Mudança Social, assumiu a presidência da Comissão Nacional de Atletas (CNA), que garante a participação diretamente na elaboração do Sistema Nacional do Esporte.

Matéria no site do Ministério do Esporte:

Uma voz em defesa dos interesses dos atletas brasileiros. Com a meta traçada, o velejador medalhista olímpico Lars Grael pretende contribuir com as discussões que irão nortear o esporte brasileiros nos próximos anos. O atleta, que foi membro do Conselho Fundador da Agência Mundial Antidopagem (AMA) e conta com o prêmio de Ética no Esporte do Comitê Olímpico Internacional (COI), assume a presidência da Comissão Nacional de Atletas (CNA) que garante a participação diretamente na elaboração do Sistema Nacional do Esporte.

No alto rendimento, o velejador conquistou duas medalhas olímpicas de bronze, em Seul 1988 e em Atlanta 1996, além de ter faturado o pentacampeonato sul-americano, ser 10 vezes campeão brasileiro e campeão de tradicionais semanas de vela, como Kiel, na Alemanha. Lars representou o país também nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984 (7º) e Barcelona 1992 (8º).

O retorno da comissão, ligada ao Conselho Nacional do Esporte (CNE), vem no momento especial em que o governo federal, por iniciativa do ministro George Hilton, iniciou a discussão para elaborar o Sistema Nacional que vai definir as funções dos governos federal, estadual, municipal, das entidades privadas, federações, confederações e clubes para as políticas do setor.

Os avanços do esporte e o futuro foram os assuntos tratados na entrevista de Lars Grael para o portal do Ministério do Esporte. Confira:

O que representa o retorno da Comissão de Atletas?
Primeiro, eu acho que é um resgate de importância histórica da Comissão Nacional de Atletas, porque é um canal direto de comunicação do grupo representativo dos atletas do Brasil junto ao Ministério do Esporte.

Nós tínhamos essa comissão nacional criada desde o fim de 1999 e que teve vários presidentes e integrantes. A comissão foi importante na luta e na conquista de várias vitórias recentes do esporte brasileiro, como a aprovação da Lei Agnelo/Piva, da Bolsa-Atleta, da Lei de Incentivo ao Esporte e a da Lei de importação de material esportivo. Todos esses momentos contaram com a contribuição dos atletas.

Qual é o seu pensamento sobre o trabalho do grupo consultivo?
Então, hoje retornamos com a comissão e é importante que tenha um rodízio dos integrantes, que tenha assento no Conselho Nacional do Esporte. Assim, é importante que cada presidente que assuma tenha uma rotatividade para que tenhamos uma transparência e um modelo de governança.

Gostaria de ressaltar que a Comissão Nacional de Atletas é consultiva, voluntária e não remunerada.

Você traçou alguma meta de ação?
Espero continuar a avançar na democratização da gestão esportiva no Brasil, a defesa dos interesses dos atletas brasileiros, não somente dos atletas olímpicos e paraolímpicos, mas também de modalidades não olímpicas, e que nós possamos participar diretamente na definição de uma política por meio da elaboração do Sistema Nacional do Esporte.

É importante que o Sistema Nacional integre as políticas criando uma coerência entre elas. Hoje temos várias ações isoladas onde cada um defende o seu próprio interesse. Nós temos de forma separada o que é uma política de base, a democratização do esporte e o esporte educacional, uma vez que a educação ainda está muito distante da educação física e do esporte no Brasil.

Então, temos que criar uma coerência dos papéis dos atletas, clubes formadores de atletas olímpicos e paraolímpicos, das federações estaduais – que hoje não têm uma fonte de financiamento – das confederações e o COB (Comitê Olímpico do Brasil) e CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro). Ou seja, o sistema público e o sistema privado têm que ter uma coerência com o plano diretor do esporte nacional, para que nós saibamos para onde queremos chegar com o esporte brasileiro.

O que esperar do futuro do esporte brasileiro?
Os Jogos Olímpicos acontecerão a menos de 500 dias e a preparação olímpica e paraolímpica já está bem avançada. O que nós temos que zelar agora é o dia após o Rio 2016. Quais são as nossas metas, investimentos, o planejamento que visa o desempenho do Brasil em 2020, 2024 e aí por diante.

Sabemos que a matriz da formação de atletas olímpicos no Brasil vem dos clubes. Essa não é apenas a cultura, mas a realidade do país. Fortalecer as entidades para que os clubes tenham o compromisso de investimento na formação de atletas, diversificar a formação, com as forças armadas, que é outra matriz importante, o desporto educacional, começando na escola, competições escolares e o desporto universitário. Assim, o trabalho que vem de academias e organizações não governamentais.

Todos eles compõem a base e têm que ter uma coerência, com metas definidas para as próximas edições olímpicas. Nessas olimpíadas e posteriores ao Rio de Janeiro é que nós podemos realmente medir se o Brasil cresceu e se poderá ser uma potência olímpica ou não.

Breno Barros
Ascom – Ministério do Esporte

Disponível em: http://www.esporte.gov.br/index.php/noticias/24-lista-noticias/50588-entrevista-lars-grael-ressalta-papel-da-cna-voz-em-defesa-dos-interesses-dos-atletas

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